1984, São Paulo
debonis.renata {at} gmail.com

represented by Giorgio Galotti
www.giorgiogalotti.com

variable dimensions

collection of objects and materials from

several different locations of the world

that were washed-up upon the shores of

Cardoso’s Island in Brazil by means of

global ocean currents and flows

 

Exhibition view:

3ra Bienal de Montevideo,

Palacio Legislativo

2016

 

Bag of NutriumSulfite from BASF, Germany, found on the beach at Cardoso's Island
In 2016 I embarked in an aesthetic expedition towards the isolated and remote National Reserve of Cardoso Island, located by the Brazilian Atlantic Ocean Coast, 300 km away from the city of São Paulo, paradoxically one of the worlds biggest metropolis. The island, with an area of approximately 151 km2 and of which only 5% is utilized by a restricted human population, shelters peculiar spatial, geographical, and social characteristics when compared to the surrounding landscape. The only allowed inhabitants are original settlements and indigenous communities, nearly 480 individuals, thus prohibiting any type of real estate speculation generated through private property and tourist exploration; there are no cars or automobiles in the island; electricity is limited and supplied exclusively through solar panels; there is a limit of allowed visitors at once in the island; the multitude of eco-systems, which include marine, freshwater, wetlands, mangroves, dunes, tropical forests, mountains etc. shelter an extraordinary variety of fauna and flora specimen; there are preserved archeological sites, both from colonial and native settlements etc. Besides all of the above-mentioned specificities of the region, yet another interesting characteristic is the fact that, due to its coordinates, the Atlantic Ocean shore of the island is the receptor of several ocean currents that wash upon the shore objects and debris from all over the world. Such phenomenon produces an unforeseen costal landscape in a natural reserve, mediated by the production of objects, and consequently garbage, from across the world. In a quick walk upon the beach one can encounter cans, bottles, light bulbs, styrofoam, glass, shoes, plastic bags and several other discarded items from various different locations and nationalities. The physicality of such objects tells a story of unpredicted global exchange. Therefor, through the collection of certain objects and images in the expedition to Cardoso Island, it was possible to create an elaborate system of global and natural exchange, activated not only by the production of human goods, but also by forces of nature that are in constant movement throughout the world. As a result, I decided to exhibit a brief compendium of my recent exploration at Cardoso Island, displaying a series of found objects from several different locations, which were all washed upon the shore of the island by global ocean currents, a series of photographs taken in the island, specimen of the flora of the island and texts/notations made during my trip. Besides the found items, it's given to the visitors the opportunity to taste an alcoholic beverage, Cataia, named after a homonymous tree that grows and its native to the island. The word cataia, comes from the native Tupi and etymologically means ‘burning leaf’. The act of drinking Cataia, which is produced exclusively by the local communities that inhabit the region, will recreate a situation of social exchange with the visitors of the exhibition, thus proposing a final exchange ritual. ________________________________________________________________________________________________________________________________ Em 2016 embarquei em uma expedição estética para a isolada e remota Reserva Nacional de Ilha do Cardoso, localizado junto à costa do Oceano Atlântico brasileiro, a 300 km de distância da cidade de São Paulo, paradoxalmente uma das maiores metrópoles. A ilha, com uma área de aproximadamente 151 km2 e dos quais apenas 5% é utilizada por uma população humana restrito, abriga peculiares características espaciais, geográficas e sociais quando comparados com a paisagens circundantes. Só são permitidos residir habitantes nascidos na ilha e comunidades indígenas, cerca de 480 indivíduos, proibindo assim qualquer tipo de especulação imobiliária gerada através de propriedade privada e exploração turística; não há carros ou automóveis na ilha; a eletricidade é limitada e fornecida exclusivamente através de painéis solares; há um limite de visitantes autorizados de uma só vez na ilha; há um grande número de ecossistemas, que incluem oceano, rios de água doce, pântanos, mangues, dunas, florestas tropicais, montanhas etc. que abrigam uma extraordinária variedade de espécies de fauna e flora; existem sítios arqueológicos preservados, tanto de assentamentos coloniais, nativas etc. Além de todas as especificidades acima mencionadas da região, há ainda uma outra característica interessante: o fato de que, devido às suas coordenadas, a costa do Oceano Atlântico da ilha é o receptor de diversas correntes oceânicas que lavam sobre terra os objetos e detritos de todo o mundo. Tal fenômeno produz uma paisagem costal imprevista em uma reserva natural, mediada pela produção de objetos e, consequentemente, de lixo, de todo o mundo. Em uma rápida caminhada pela praia é possível encontrar latas, garrafas, lâmpadas, isopor, vidro, sapatos, sacos de plástico e vários outros itens descartados de vários locais e nacionalidades diferentes. O materialidade de tais objetos conta a história de intercâmbio global imprevisível. Através da coleta de certos objetos e imagens da expedição na Ilha do Cardoso, foi possível criar um elaborado sistema de intercâmbio global e natural, ativados não apenas pela produção de bens humanos, mas também pelas forças da natureza que estão em movimento constante em todo o mundo. Como resultado, apresento um breve compêndio desta exploração da Ilha do Cardoso, exibindo uma série de objetos encontrados em vários locais diferentes, que foram todos lavados para a costa da ilha por correntes globais do oceano, uma série de fotografias tiradas na ilha, espécies da flora da ilha e textos/anotações feitas durante a minha viagem. Além dos objetos, é dada a oportunidade dos visitantes experimentarem uma bebida alcoólica, Cataia, feita a partir das folhas de uma árvore de mesmo nome que cresce e é nativa da ilha. A palavra cataia, vem do Tupi e significa etimologia 'folha que queima'. O ato de beber Cataia, que é produzida exclusivamente pelas comunidades locais que habitam a região, recriou uma situação de troca social com os visitantes da exposição, propondo assim um ritual de intercâmbio. _____________________________________________________________________________________ * article on the Thüringer Allgemeine, Weimar's newspaper: http://weimar.thueringer-allgemeine.de/web/lokal/kultur/detail/-/specific/Kultursymposium-300-Experten-aus-aller-Welt-diskutieren-Zukunftsfragen-1637147733
Foreign bottles found at the beach in Cardoso's Island
bottle of 'Frisco', produced in Czech Republic and Lithuania - found at the beach in Cardoso's Island
Bottle with an inscription in german found at Cardoso's Island
Intact old lamps, foam, styrofoam found at the beach in Cardoso's Island
ropes and foam found at Cardoso's Island
cataia leaves